O que fazer para reduzir as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência no dia a dia? Após participarem de uma atividade de integração com usuários do Centro de Referência para Pessoa com Deficiência (CRPD), equipamento da Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas), adolescentes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - Projovem, do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Continental, apresentaram algumas respostas: ter empatia, garantir a inclusão e a certeza de que a acessibilidade é um direito de todos.


O grupo de adolescentes do Projovem passou pela vivência de uma pessoa cadeirante e de uma pessoa sem visão, oportunizados em dois momentos: no primeiro: atividade física com intuito da socialização, coordenação motora e lateralidade e, em segundo momento, a importância da adaptação aos espaços físicos e a empatia independentemente da deficiência ou condição social.
Ao passar pelos dois momentos, a adolescente Barbara Vitória Lima Endlich, 14 anos, disse estar aberta a conviver com pessoas em situações diferentes a dela: "Mesmo, eu, sendo uma pessoa sem deficiência, depois de passar por esta experiência me senti como estivesse excluída da sociedade", falou a adolescente.
Para Maria Eduarda Cristal, 15, na condição da deficiência visual e de cadeirante foi uma das atividades mais difíceis, a qual participou no espaço. "Com a cadeira de rodas, por exemplo, a dificuldade está em se manter no caminho escolhido por conta dos buracos, desníveis e outros obstáculos no meio do trajeto. É preciso ter alguém para baixar e acertar a roda pequena e muita força nos braços".
Ainda mais impactada ficou a adolescente com a vivência de um pessoa sem visão. Ela teve, apenas, os olhos fechados com uma bandana. "Eu achei mais complicado pelo fato de a gente ter de tocar pra sentir. Imagina para uma pessoa que tem essa deficiência? Saí pensativa do grupo hoje", revelou Maria Eduarda.
O educador do CRPD, Jorge Mayko, explicou que a proposta dessa atividade é provocar reflexões, dialogar sobre a importância da acessibilidade e interação social.
A assessora técnica do Projovem Continental, Katiucia Santana Azevedo, admitiu que os adolescentes do Projovem ficaram impactados com o grau de dificuldade para locomoção e acesso para as pessoas com deficiência e compreenderam as lutas que se fazem necessária para que tenhamos um melhor convívio em sociedade.
"A integração é um instrumento muito importante de trabalho. O grupo, também, compreendeu que as pessoas com deficiência mesmo com todos os percalços, são capazes de conviver normalmente em sociedade", disse ela. Apesar de ocuparem o mesmo espaço físico dentro do Cras Continental, a técnica admitiu que muitos adolescentes não tinham noção da realidade, do tamanho da dificuldade e obstáculos que as pessoas com deficiência possuem no convívio com a sociedade como um todo.
Para a gerente de Atenção à Família da Semas, Cremilda Astorga, o Cras tem um papel primordial no acesso à direitos e no fortalecimento de vínculos familiares e o Projovem busca trabalhar o protagonismo e o fortalecimento dos vínculos comunitários dos adolescentes. É essa integração dos serviços que possibilita, além do convívio harmônico, a empatia e o respeito à diversidade, atender família e seus membros de forma integral, seja idoso, pessoa com deficiência, adolescente ou puérpera".
Para o educador social do Projovem, mais conhecido como Borges, o mais importante dessa atividade foi possibilitar uma conversa sobre a essencialidade do acesso, provocando assim, uma consideração relevante e significativa sobre as relações sociais que são desenvolvidos com aqueles que os cercam.
Cintya Schulz, secretária de Assistência Social de Vitória, enfatizou o desafio e o compromisso com um Sistema Único da Assistência Social (Suas) que é cada vez mais incluso e permite a efetiva convivência comunitária. "É preciso atuar em todas as faixas etárias para acabar com a desinformação e preconceito, procedentes das gerações passadas e do aprendizado cultural. "A informação é um dos caminhos para acabar com o preconceito, e a garantia de direitos é uma luta coletiva, sociedade civil, trabalhadores e poder público", destacou a secretária.


